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    quinta-feira, 1 de junho de 2017

    [Review] GTO - Great Teacher Onizuka - Volume 1 | NewPOP




    Great Teacher Onizuka, ou simplesmente GTO, poderia ser só mais um lançamento de qualquer editora em um mercado movimentado se não fosse, bem, GTO. Uma palavra que define o novo título da NewPOP é “bomba”, no bom sentido da coisa.

    Mas por que bomba? Pelo simples fato de uma editora menor, que vem "comendo" títulos de sucesso pelas bordas junto com as duas grandes concorrentes, lançar um mangá importante e tão aguardado pelo público durante anos. Isso demonstra uma tentativa mais visível de transformar a NewPOP em algo maior.

    E se não bastasse, GTO se tornou o título mais longo da editora: em comparação com o anterior, Usagi Drop, são 15 volumes de diferença. Lançar um material tão longo é um risco que apenas empresas de porte maior podem se dar ao luxo de arriscar.

    Sem contar que a obra é uma sequência. Sim, isso mesmo, a sequência de Shonan Junai Gumi, série em 31 volumes publicada entre 1990 e 1996 na Shonen Magazine (assim como GTO). Muitos se perguntavam o porquê do mangá ainda não ter sido publicado por aqui, e um dos motivos que parecia ser mais relevante e coerente era a licença estar vinculada, ou até mesmo em um pacote, junto com sua prequel.

    Esse é um título que quebrou barreiras dentro do nosso mercado de mangás, ainda mais nesse momento tão complicado em que vivemos, que acabou obrigando as editoras a segurarem seus crescimentos e pensarem melhor na quantidade de lançamentos. Enquanto isso, os mexicanos e argentinos vão se expandindo cada vez mais, com anúncios de títulos mais frequentes e animes sendo exibidos constantemente em seus canais de televisão.

    Obra escrita e desenhada por Toru Fujisawa, GTO foi publicado de 1996 a 2002 na revista Shonen Magazine, uma das três maiores e mais famosas do Japão, da editora Kodansha e compilada em 25 volumes. Em 1999 foi adaptado para uma animação de 43 episódios pelo Studio Pierrot (Naruto Shippuuden, Bleach), que você pode assistir aqui na Crunchyroll.pt, assim como o dorama e seu especial, além do mangá mais recente da franquia, GTO - Paradise Lost (apenas em inglês).






    História

    Eikichi Onizuka, 22 anos, um rapaz que ainda não decidiu o que fazer com sua vida (na verdade ele decidiu, mas é algo irreal), ex-membro de gangue, 2° Dan em caratê, apreciador de filmes adultos e muitas outras coisas. O que realmente importa nessa história é que depois de toda a porradaria da sua adolescência, está na hora de se encaixar na sociedade.
    Depois de alguns eventos, ele finalmente decide o que quer se tornar, mas... será que vai dar certo?

    Sequência convidativa

    Não se preocupe leitor, GTO não te obriga a ler seu antecessor. Na verdade, muito menos do que isso, já que as menções ao passado dentro da história são simples e parecem apenas boas memórias, pequenas citações. Nada remete a acontecimentos que você deveria saber.

    Por mais que essa seja uma review de apenas um volume, o redator aqui já leu os 25 volumes da série e pode afirmar que praticamente todos os momentos em que os personagens tocam no passado de uma maneira mais “clara”, é exatamente nesta primeira edição.







    A obra fez muito mais sucesso que Shonan Junai Gumi, vários leitores não conhecem e nem sabiam dessa ligação, o que demonstra o quanto ela funciona por si mesma.

    Traço, personalidade e combinação

    Não há como negar, a obra de Toru Fujisawa possuí um traço bem próprio. Trabalha muito com o preto, e com poucas retículas, contrastando fortemente com o branco graças à grande quantidade de linhas mais grossas do que o normal, fazendo em certos momentos o desenho parecer sujo e pesado, mas ainda combinando com a narrativa. Isso acontece também graças a quantidade de detalhes na maioria dos cenários.

    Brincando em certas ocasiões, o mangaká transforma seu desenho em algo caricato (principalmente nas caras e bocas do Onizuka), para que a comédia seja mais efetiva e transposta de uma maneira mais interessante, o que acaba dando um charme. Essas cenas parecem ser desenhadas com traços ainda mais grossos do que o comum, até mesmo parecendo que foi feito com pincel, com uma quantidade excessiva de traços no rosto.






    Combinando perfeitamente com a personalidade do personagem principal e sua história, o desenho é sujo, cheio de vida e intenso. Ainda mais quando a série tem um pé em ecchi, onde o autor sabe utilizar essa ferramenta nas horas certas, sem apelar em nenhum momento.

    Ritmo, diálogo e conversas paralelas

    Com boa quadrinização, apesar de simples, e ótima disposição de diálogos, o mangá possuí uma narrativa gostosa e fluída, que prende o leitor do começo ao fim. E um dos motivos é o ritmo dos quadros e diálogos, passando a sensação de que o mundo não para enquanto os personagens se relacionam.







    A técnica interessante que o Fujisawa utiliza para isso são as conversas que acontecem em paralelo. Um exemplo: a principal conversa seria do Onizuka e do professor Oosawa, mas no mesmo quadro, com balões menores, ocorre em paralelo uma discussão entre outros dois professores. Sutil, mas muito eficaz.

    A triste primeira edição que não apresenta os personagens mais importantes

    Sendo uma história simples, o que realmente fascina são os personagens, as surpresas do desenrolar da trama e a comédia, que parece atemporal. É estranho dizer isso agora pelo fato de ainda não termos sido apresentados aos alunos que acompanharão o professor durante toda série.

    A partir da próxima edição, Onizuka se firma como professor em uma escola e vai precisar lidar com todo tipo de estudante: dos mais fechados como o Yoshikawa, até os mais problemáticos e complicados como a Kanzaki. E o design de personagem deles é fantástico, todos possuem traços que demonstram sua personalidade, dando à sala de aula um contraste incrível, criando momentos de alegria, tristeza e pena. Sem esquecer os outros professores.



    Página retirada do volume 3 com alguns dos alunos




    E então, na segunda e terceira edição começa definitivamente o que é GTO: a interação e a mudança que Eikichi Onizuka traz para cada um de seus alunos e pessoas próximas, sendo esse o maior brilho da série. Cada conquista de um novo aluno, cada lição, cada monólogo do professor, é uma vibração e animação do leitor para o próximo.

    Edição brasileira

    A edição da NewPOP é uma das mais bonitas e caprichadas do mercado nacional quando falamos de material gráfico, com sobrecapa (em gramatura suficientemente alta para não amassar), capa cartonada, lombada costurada, no formato 12 x 18 cm e em papel lux cream; junto com Blame! da JBC, são as mais próximas de um tankobon japonês. O papel possui pouquíssima transparência e trás uma leitura agradável graças à sua textura mais encorpada, e também é o mesmo usado nas light novels da editora.

    Diferente do original, existem páginas coloridas na edição brasileira, o que demonstra o capricho com o mangá e se torna um ótimo diferencial para o material. Lembrando que para isso ter acontecido, existiu uma negociação pelas páginas.

    A tradução foi feita por Sayuri Tanamate, do recém lançado Koe no Katachi. Porém, foi confirmado que no próximo volume será outro tradutor.






    Já na parte editoral a NewPOP escorrega. Existe alguns erros de revisão, como erros de português e digitação, adaptação, sendo muito ao pé da letra, o que acaba deixando a leitura truncada e cortes de falas no canto das páginas. Consigo ver uma evolução, já que existem volumes publicados por ela com problemas piores, mas esse tipo de coisa acaba fazendo o material perder qualidade.

    A diagramação está muito boa, mas talvez a falta de experiência com sobrecapa tenha feito com que a sinopse ficasse espremida, quase chegando na orelha da sobrecapa.

    Comentários finais

    Um dos melhores mangás de comédia que tive a oportunidade de ler, Great Teacher Onizuka é sem dúvida uma das melhores publicações de 2017. Com história fluída, interessante e cheia de humanidade, Eikichi Onizuka é um dos personagens mais carismáticos, interessantes e explorados de maneira coerente dentro do enredo que já vi, passando todo esse “ar” para seus alunos e dando lições de moral que são críticas diretas à sociedade japonesa, e até mesmo do mundo.

    Com ótima narrativa, desenrolar de trama e desenhos com personalidade, a obra se completa e traz ao leitor uma comédia simples, eficaz e honesta, mostrando a vida de um professor “diferente” tentando ajudar seus alunos, ao mesmo tempo em que se torna um adulto.





    É uma pena não poder vir até aqui e ficar somente nos elogios. A adaptação que deixa a leitura truncada e os erros de revisão acabam diminuindo a qualidade do material, o que demonstro comentando aqui e na nota que dei logo abaixo, mas acredito que a partir do próximo volume a qualidade melhorará. O mais incrível é que no quesito material gráfico, a edição é superior aos volumes japoneses, com um papel até melhor e com páginas coloridas.

    Vendendo mais de 50 milhões de cópias no Japão, sem contar os spin-offs, GTO é um mangá que merece tudo que conquistou pela qualidade e pela diferente abordagem com essa profissão tão importante para todos nós, os professores.

    Ficha Técnica
    História e Arte: Toru Fujisawa
    Status no Japão: Finalizado com 25 volumes
    Periodicidade: Bimestral
    Editora no Brasil: NewPOP
    Editora no Japão: Kodansha
    Preço: R$ 23,90
    Classificação etária: 16 anos
    Avaliação: 8/10







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